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A vez do internetês

A TopLineRH, preocupada com a influência que a linguagem utilizada na Internet pode acarretar no ambiente de trabalho e na própria língua portuguesa, prontificou-se a ouvir especialistas sobre o tema. Dizer que a linguagem utilizada no meio virtual pode descaracterizar o idioma é senso-comum, porém não é a opinião unânime dos estudiosos consultados.



A Internet revolucionou as relações sociais, o comportamento e também as formas de comunicação. O surgimento dos blogs, das salas de bate-papo e de sites que permitem uma interação com o internauta, possibilitou o surgimento de novas palavras e expressões que são cada vez mais utilizadas.



Na mesma velocidade do surgimento dessa escrita diferente, chamada de internetês, chegaram as críticas dessa linguagem. Ao contrário do senso-comum, outra corrente se forma e abre um outro questionamento: o internetês seria mesmo capaz de mudar a língua de um país?



O professor de lingüística da Universidade Estadual de Campinas, Sírio Possenti acredita que a língua falada seria impossível de ser modificada apenas por causa de abreviações e gírias usadas por internautas. Segundo Possenti, muitos estudiosos alegam ter lido textos de usuários na Internet e terem achado um texto ou uma conversa banal, cheia de abreviações e gírias. “Mas será que a conversa seria mais interessante ou com conteúdo mais significativo se as palavras estivessem sido escritas com a grafia correta?”, questiona Possenti. Para ele, quem critica muitas vezes não conhece a língua.



O professor de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Marcel Cheida, também afirma que não é comum presenciar o uso do internetês em textos ou mesmo e-mails de usuários da Internet. “O meio condiciona a linguagem e as pessoas se adequam a ele. É comum perceber erros ortográficos e de concordância, mas nada que se possa atribuir à Internet”, avalia Cheida.



No internetês, as palavras foram abreviadas de maneira a se transformarem, muitas vezes, em uma expressão de uma ou duas letras. A acentuação e a pontuação também sumiram aos poucos. Mas tudo isso é justificado, tanto por estudiosos, quanto por aqueles que fazem uso dessa escrita. Cheida defende que a natureza da língua está viva e em constante transformação. “Assim, à medida que novas expressões culturais são construídas, elas afetam a linguagem”, justifica ele.



Os usuários da Internet também se defendem da idéia de quem acredita em uma possível mutação da língua escrita ou falada devido à Internet. A jornalista Tássia Vinhas afirma que fica em média quatro horas por dia no MSN, programa aderido por 538,6 milhões de internautas, e diz com convicção que nunca se confundiu com as linguagens. “Não vejo problema em conciliar as duas maneiras de escrever. Cada uma no seu ambiente”, assegura Tássia. Possenti reafirma sua posição: “saber escrever de duas maneiras é bem melhor do que saber escrever de uma só apenas. É sinal de maior competência”.



Talvez a Internet interfira mais na vida dos jovens do ensino fundamental e médio, pois são pessoas que, ao mesmo tempo em que foram alfabetizadas na escola, já lidavam com computadores e, conseqüentemente, com programas de mensagem instantânea. É a primeira geração que teve acesso ao computador no mesmo período da alfabetização. A professora de ensino fundamental e médio do Colégio Integral e ex-corretora de redação do vestibular da Unicamp, Simone Cristina Pereira, afirma já ter encontrado abreviações típicas de conversas informais, via Internet, nas redações para um dos vestibulares mais concorridos do país. Como profissional, ela garante atentar aos alunos para o uso da linguagem gramaticalmente correta, no entanto, ela não é contrária ao internetês. “O ideal é que o aluno saiba distinguir qual linguagem deve ser utilizada em cada momento. E isso depende da maturidade do estudante e de o professor trabalhar desde cedo as variações da linguagem”, garante Cristina





 
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